Modernidade e violência em Mad Maria, de Márcio Souza
Palavras-chave:
Literatura, História, Modernidade, Amazônia, Madeira MamoréResumo
Este artigo almeja contribuir para a reflexão acerca do projeto modernista de construção da via férrea Madeira-Mamoré, edificada na floresta Amazônica durante o final do século XIX e início do século XX. A referida obra foi um dos mais significativos desafios de engenharia civil do século XX e tinha a função de interligar Brasil e Bolívia de modo a favorecer o escoamento da produção de látex dos seringais bolivianos. Além de resultar em impactos ambientais irreversíveis, trabalhadores de mais de cinquenta etnias diferentes feneceram no processo, o que ocasionou o etnocídio do povo indígena Karipuna que à época do empreendimento era estimado em 12 mil pessoas e atualmente está reduzido a apenas 43 indivíduos, localizados em Rondônia. A obra Mad Maria, de Márcio Souza, foi o catalisador das análises aqui apresentadas. Embora se trate de obra aberta, sujeita a inúmeras interpretações, nosso foco centrou-se na problematização do projeto modernizante, a partir da perspectiva indígena representada na referida obra. O estudo foi desenvolvido em abordagem qualitativa, com base em metodologia da pesquisa bibliográfica. O problema foi investigado em perspectiva histórica e literária e o estudo permitiu concluir que a literatura é fonte relevante para a compreensão histórica. No caso em tela, a obra de perfil decolonial oportunizou uma abordagem crítica do problema da modernização nas selvas amazônicas.









